Prevenção de Incêndios Florestais: Por Que Agir Antes das Chamas?

Prevenção de Incêndios Florestais: Por Que Agir Antes das Chamas?
Prevenção de Incêndios Florestais: Por Que Agir Antes das Chamas?

Portugal vive, ano após ano, uma realidade que nenhum português deveria ignorar: somos um dos países europeus mais afetados por incêndios florestais. Os números falam por si — em 2024, registaram-se 6.255 fogos rurais que destruíram mais de 137.000 hectares de território nacional, quatro vezes mais do que no ano anterior. Em 2025, os dados agravaram-se ainda mais, com a área ardida a triplicar no mesmo período face a 2024. A conclusão é simples: prevenir continua a ser, de longe, a resposta mais eficaz.


O Que Nos Diz o IPMA Sobre o Risco de Incêndio

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) é a entidade responsável por monitorizar e comunicar diariamente o perigo de incêndio rural em Portugal Continental e na Madeira. Para o fazer, o IPMA utiliza o Índice Conjuntural e Meteorológico (RCM), que combina dois fatores fundamentais:

  • O índice meteorológico FWI (Fire Weather Index) — calculado com base em variáveis como temperatura, humidade, vento e precipitação, atualizado diariamente a partir das estações meteorológicas nacionais.
  • O índice de perigosidade estrutural — desenvolvido em conjunto com o ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), que considera as características do território, a vegetação existente e as áreas ardidas nos anos anteriores.

O resultado é uma escala de cinco níveis de perigo: Reduzido, Moderado, Elevado, Muito Elevado e Máximo. Consultar esta informação diariamente — disponível em ipma.pt — é um hábito simples que pode fazer uma diferença enorme.

Sabia que? Quando pelo menos 20% dos pontos de uma malha de 1×1 km num concelho registam um valor FWI superior a 64, o IPMA aumenta automaticamente uma classe de perigo para esse município.


Porque É Que a Prevenção É a Melhor Defesa

1. A maioria dos incêndios tem causa humana

De acordo com os dados do ICNF, as causas mais frequentes de ignição em 2025 foram o incendiarismo (24%) e as queimadas (24%). Isto significa que praticamente metade dos fogos registados poderiam ter sido evitados com comportamentos mais responsáveis.

2. O clima agrava o risco — mas não é desculpa

As alterações climáticas criam condições propícias a incêndios mais intensos e de maior extensão: verões mais quentes e secos, ventos mais fortes e períodos de seca prolongados. No entanto, estas condições não dispensam — antes exigem — uma maior responsabilidade individual e coletiva na gestão do território.

3. Os custos de não prevenir são devastadores

Em 2024, os incêndios florestais causaram 16 mortes, prejuízos estimados em 67 milhões de euros para a economia florestal, e a emissão de 0,69 megatoneladas de CO₂ para a atmosfera. Para além dos danos materiais e humanos, as áreas ardidas ficam vulneráveis a erosão, inundações e empobrecimento dos solos por anos a fio.


O Papel do Proprietário: O Que a Lei Exige (e o Bom Senso Recomenda)

A gestão da vegetação em redor das habitações não é apenas uma boa prática — é uma obrigação legal. Os proprietários de terrenos florestais são responsáveis pela limpeza e manutenção de um raio de 50 metros a partir da parede exterior de qualquer edificação. O prazo anual para cumprir esta obrigação termina normalmente no final de maio.

Mas mesmo quem não tem terreno florestal pode contribuir ativamente para a prevenção:

  • Não queime mato, folhas ou resíduos fora dos períodos e condições permitidos por lei.
  • Mantenha o seu jardim limpo de vegetação seca, folhagem acumulada e material inflamável.
  • Crie faixas de proteção (aceiros) em terrenos próximos de zonas arborizadas.
  • Não atire beatas de cigarro em espaços exteriores, especialmente durante os meses mais quentes.
  • Nunca acenda fogueiras em dias de vento forte ou quando o índice de risco IPMA for Elevado, Muito Elevado ou Máximo.

Preparação: O Que Fazer Antes do Verão

A prevenção começa muito antes de o calor se instalar. Eis um calendário de boas práticas para proprietários de jardins e terrenos:

Primavera (março–maio)

  • Proceda à limpeza geral do terreno: remova folhas, ramos secos e vegetação morta.
  • Realize a poda de árvores e arbustos, especialmente os mais próximos de construções.
  • Verifique o estado das caleiras e remova folhagem acumulada.
  • Confirme que o prazo legal de limpeza da faixa de 50 metros é cumprido antes do final de maio.

Verão (junho–setembro)

  • Consulte diariamente o mapa de risco de incêndio do IPMA.
  • Em dias de risco Muito Elevado ou Máximo, evite qualquer trabalho com maquinaria que possa originar faíscas.
  • Tenha sempre água e meios de extinção acessíveis na propriedade.
  • Mantenha caminhos de acesso desimpedidos para facilitar a intervenção dos bombeiros, se necessário.

Como a Jardim Gomes Pode Ajudar

Na Jardim Gomes, sabemos que a manutenção preventiva do seu espaço verde não é apenas uma questão estética — é uma medida concreta de segurança. Os nossos serviços de limpeza e ordenação de terrenos ajudam a reduzir a carga de combustível vegetal nas suas propriedades, contribuindo para uma gestão responsável do risco.

Seja um jardim urbano ou um terreno rural, a nossa equipa pode acompanhá-lo em todas as etapas: da poda e remoção de vegetação seca à criação de faixas de proteção. Porque prevenir começa por cuidar do espaço que nos rodeia.

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A Jardim Gomes apoia a campanha Portugal Chama e incentiva todos os cidadãos a adotarem práticas responsáveis na gestão dos seus espaços verdes.

Sobre o autor

Este artigo foi produzido com base nas orientações e experiência de Luciano Gomes, profissional com prática consolidada em jardinagem, manutenção de espaços verdes e planeamento de jardins ao longo das diferentes estações do ano. A redação e organização do conteúdo foram realizadas por uma equipa editorial, garantindo clareza e acessibilidade, enquanto os temas, recomendações e boas práticas refletem o conhecimento técnico e a experiência no terreno de Luciano Gomes. Com um profundo entendimento das condições climáticas e dos solos em Portugal, Luciano Gomes contribui para a criação de jardins saudáveis, sustentáveis e adaptados a cada contexto, assegurando que a informação apresentada é útil, prática e fiável.

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